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05/01/11

Yorkville

Como nossas aulas só começam ao meio dia, resolvemos conhecer Yorkville, um bairro perto do nosso. Na verdade, é o mesmo bairro, mas tem uma parte dele na qual o pessoal é, assim, mais bem de vida.

Pra vocês terem uma ideia, Hugo Boss, Guess, Vitor Hugo, Lacoste e todas essas marcas caras estavam presentes em Yorkville - e continuavam caras.

Tiramos algumas fotos lá:





PLI

Como eu disse, cada aluno teve de fazer um teste para ver em qual nível estudaria. Acabei recebendo o horário das 12:30 às 15:50, sendo uma aula de Business e uma de Listening.

Em Business, aprendemos bastante vocabulário específico da área, além de ficar sabendo de fatos interessantes sobre o Canadá. Por exemplo, os canadenses têm dinheiro para colocar os filhos em escolas particulares, mas eles não colocam. Sabem por quê? Porque se eles começarem a colocar as crianças em escolas particulares, as públicas receberiam menos atenção e ficariam piores.

Ou seja, as pessoas não pensam só no próprio umbigo.

Na aula de listening estamos vendo idioms, ou seja, expressões idiomáticas, tipo "he has feathered the nest" = ele se preparou para o futuro. É bem interessante e eu até que gosto da professora, menos quando ela cisma com o ED do Past Simple. Ela diz que é "erro de brasileiro" na pronúncia e nos deu uma folhinha para aprender a falar worked, cleaned, danced, etc.

Gente, eu NÃO vou mudar minha pronúncia! Se ela continuar insistindo, vou falar pra ela sobre um negocinho chamado ENGLISH VARIATION, pleased to meet you.

Enfim.

O mais interessante são os colegas. Bah, tem gente de todo canto. Nas minhas turmas, temos brasileiros (óbvio), russos, japoneses, coreanos e mexicanos. Mas tem amigos meus que estudam com turcos, holandeses, venezuelanos, chilenos, etc.

É MUITO legal ouvir sotaques tão diferentes! Como eu adoro variação linguística, estou amando tudo. Na verdade, em qualquer lugar que tu vá em Toronto tu vai encontrar gente de outro país, falando outra língua. A cidade é super cosmopolita, ninguém olha estranho pra ninguém, porque tem gente de todo tipo!

ROM

Depois da aula, fomos ao Royal Ontario Museum, porque é de graça nas quartas depois das 16:30 hahaha. Uma pessoa do grupo foi deixar a mochila no guarda volumes e não teve que pagar nada. Quando quis colocar o casaco dentro da mochila, teria que pagar U$2. Vai entender, né?! Se tivesse colocado o casaco antes na mochila, como eles saberiam?



So pudemos ficar uma hora, depois disso os guardinhas começaram a pedir que todos se retirassem e o museu fechou, blé.

04/01/11

((SONHO: postar no dia em que as coisas aconteceram.))

Path

Na terça feira, eu passei boa parte da madrugada acompanhando o voo de uma pessoa do nosso grupo, que não conseguiu vir com a gente no mesmo dia. Por causa disso, acordei mais cedo do que as outras pessoas, que levantaram pouco antes das 7.

Por que acordar antes das 7 em um país desenvolvido e cheio de neve? Porque tínhamos que ir até nossa escola. Aliás, tínhamos que encontrar o caminho certo, porque não tínhamos muita certeza do que fazer.

No entanto, tudo correu na mais perfeita calma: pegamos o metrô para o lado correto, saímos na porta certa e viramos na esquina na qual deveríamos virar. Tchanã, nossa escola estava bem ali, na nossa frente. (Se alguém quiser dar uma olhada no prédio e na rua da escola, é só clicar aqui.)

Chegando lá, nos dividiram em grupos e nos deram folhas para preencher - novidade. Ficamos sabendo dos horários da escola e de uma regrinha que deixou todos um pouco abalados: não se pode falar outra língua que não inglês na escola.

Ok, isso não tem nada de absurdo, certo? Certo. O que é um absurdo é que, se um professor encontrar algum aluno falando outra língua que não inglês, esse aluno recebe um RED CARD. Isso mesmo, o aluno é expulso. Por 24 horas, mas mesmo assim. Se você falar português, árabe, russo, japonês ou outra coisa ao meio dia, por exemplo, terá de sair da escola e só voltar no meio dia do dia seguinte. Great.

De qualquer jeito, não acredito que algum de nós levará este cartão. Tenho fé no meu inglês, no dos meus alunos e, principalmente, no da minha chefe. hahaha

Bem, bem... depois da papelada e das regras, fomos ao testes: o primeiro era online e envolvia reading, interpretation e listening. Eu achei ok, fiquei com 90 pontos, de 100. Tenho certeza que errei uma questão que nos pedia para completar um texto tirando palavras do nada, mas enfim.

Além desse, tivemos uma prova oral onde nos falaram em que nível estudaríamos. Fiquei com o high advanced, o que me encheu de orgulho. Gente, eu venho estudando inglês faz 13 anos, é bom ver que o trabalho valeu à pena e ser reconhecida, de vez em quando.

Depois disso, tivemos um mini tour pelo path, que são túneis que interligam boa parte da cidade. Ou seja, eu não preciso pegar o metrô para ir para o Best Buy, eu poderia ir por baixo da terra, caminhando.

E foi o que decidimos fazer. Mas não sem antes dar uma passadinha no Royal York Hotel, logo em cima de onde entramos para pegar o metrô. Ele é o mais caro da cidade, onde alguns filmes foram rodados (Quais? Não sei, mas tem uma placa lá, posso descobrir).



Ficamos caminhando por HORAS nestes túneis, com a esperança de encontrar alguma loja interessante. Acabou que encontramos a Toys Toys Toys, onde comprei um chaveirinho em forma de alce pra mim. Awn. x)

Depois disso, pegamos o metrô e fomos para casa, já mortos. Janta? Cachorro quente.
;) Aaah, dois dias antes tinha sido aniversário de uma das pessoas do grupo, então montamos um prato com cachorro quente, Lays, cookies e duas velinhas. O hotel nos forneceu os fósforos, não sem antes nos pedir para não acionar os detetores de fumaça, claro.

Bonus: Neighborhood


Na esquina aqui do lado!


Ganha um doce quem descobrir o nome e o que tem nesse lugar. hahaha

Continuação do dia 04/01:

Yonge Street

Quando chegamos ao hotel, deixamos nossas coisas e saímos para almoçar. Nossa primeira comida canadense? Um footlong, no Subway. hahaha Eu sei, nada original, mas fica pertinho da nossa casa. Dividimos ele em duas pessoas e, como acompanhamento, comemos Lays. (L)ays. -> como sou criativa. :roll:

Depois de almoçarmos, procuramos um supermercado. A maior rede de mercados aqui de Toronto é o Rabba's, mas ele não é aqueeeele supermercado, sabem? É um mercadinho, normal (Ainda tou me lamentando por não termos um WalMart por perto).

De qualquer jeito, este foi o resultados das compras:



(olha o saco de Lays aí na foto!)

Esqueci de falar que passamos no Dollarama, também. Essa loja é uma espécie de U$1,99 canadense, onde tu pode comprar de tudo, desde balas até roupas (Os EUA têm uma versão própria da loja, também, a Dollar Tree).

Comprei algumas coisinhas, tipo uma luva pras minhas mãos não caírem e, na hora de pagar, a mulher - que era, sei lá, turca - me disse: DO YOU WANT A BANK? Parecendo /bán/, assim. Aí eu disse que não, achando que ela queria que eu declarasse as taxas, sei lá. Aí ela me perguntou DENOVO e eu disse que não, já meio intrigada. Foi então que ela acabou de passar minhas compras e eu fiquei olhando pra ela, porque ela não tinha embalado nada. Aí eu: can I have a bag? E ela:

- I ASKED YOU TWO TIMES IF YOU WANT A BANK!

hahahahahahah ela não queria saber se eu queria declarar taxas, nem nada assim, ela queria saber se eu queria uma BAG, mas com uma pronúncia muito diferente! hahahaha Isso porque no Canadá se paga mais ou menos 0.06 cents por cada sacola plástica e ela deveria ter me cobrado por uma. De qualquer jeito, já adquirimos uma ecobag. hahaha

Depois das compras, resolvemos conhecer a vizinhança. Acabou que estamos super bem localizados, no centro da cidade e a rua mais perto é a maior rua do MUNDO, a Yonge Street.



Encontra-se de tudo nesta rua, desde comida até sex shops. Sério mesmo!

Ficamos entrando e saindo de lojinhas, porque Toronto ainda tá no Boxing Day, ou seja, as coisas estão em liquidação. Infelizmente, termina nesta semana. :(



Esta foi uma das minhas lojinhas favoritas, uma de comic books, com direito a várias edições de colecionador, capa dura, estátuas, etc etc. Igualzinha a de Big Bang Theory!

De qualquer jeito, compramos casacos e botas. Esta é a minha:



Além disso, visitamos a Best Buy, a Future Shop, o cinema AMC e - e esta é minha favorita - a WORLD BIGGEST BOOKSTORE!



Ficamos ali dentro durante quase duas horas e eu ainda preciso voltar pra pegar livros. É. Voltarei com muitos livros, como da outra vez. Vou fazer o quê? Posso ficar séculos numa livraria que eu ainda sairia feliz!

Ah, teve um teatro que pegou fogo quando chegamos. Sad. :(



Pra terminar, pedimos uma pizza no Pizza Pizza, por 8 dólares. Tri boa!

Olá, meus queridos corvinais que, encarecidamente, não se opuseram quanto a eu usar nosso blog para objetivos pessoais e

Olá, demais pessoas que receberão este link e outros por aqui passantes!

Como alguns de vocês sabem, tive de me ausentar de algumas de minhas atividades no BiDê temporariamente por ter vindo ao Canadá para ficar um mês estudando inglês.

No entanto, mesmo tendo de estudar, fazer homework e conhecer a cidade - ha -, eu gostaria de manter uma espécie de diarinho sobre as nossas "aventuras aqui". Sei que blogs diarinho são um saquinho, mas eu vou pôr bastante fotos pra vocês que preferem ler as figuras.

Ok, letisgo!

AeroportoS

Nunca tive muita sorte com voos chegando no horário e, para vir para cá, não foi diferente. Como eu estava no Rio de Janeiro, teria de ir a São Paulo para encontrar o meu grupo e, para isso, pegaria um voo da webjet que... estava cancelado.

Eles foram prestativos e me encaixaram em um voo da Gol (quase duas horas mais tarde) que ia para Congonhas, então de lá teria que pegar o transfer para Guarulhos. Ok, sem problemas, só não poderia esperar meu grupo na chegada, como havia sido combinado, porque chegaria depois deles.

Porém, quando finalmente cheguei a Guarulhos, vi que o voo do meu grupo também estava atrasado. Aí, vocês pensam que estávamos todos com muita sorte, certo? Pois é. Cheguei a mencionar que temos uma menor no nosso grupo? A líder é responsável por ela e, por isso, tínhamos que apresentar uma autorização dos pais - que estava láááá em Barbosa.

Isso também foi uma dor de cabeça, mas a receita federal foi convencida e, com um fax, tudo foi resolvido e pudemos embarcar em direção à Washington. Yeah!

A viagem durou 9 horas e foi bem tranquila, tirando os torcicolos. Eu queria ter assistido Going the Distance na TVzinha, mas ele não tava disponível pro nosso voo. :(



Essa é a comida diliciosa que a United Airlines serve como almoço (a outra opção era beef com cuscuz... não me pareceu muito certo, então fui de chicken mesmo).

Quando finalmente chegamos aos EUA, tivemos que passar pela imigração, onde checariam nosso visto. Sim, mesmo que só estivéssemos lá para uma conexão, tínhamos de ter o visto conosco.

Essa brincadeira americana durou quase duas horas e nós achávamos que tínhamos perdido nosso voo, que sairia quase uma hora antes.

No entanto, quando finalmente conseguimos pegar nossa mala e vimos elas desaparecerem em uma nova esteira novamente, uma mulher da United nos avisou que nosso voo, milagrosamente, não tinha saído ainda!

Foi então que começamos a correr pelo aeroporto, que é gigantesco. A primeira pessoa que nos deu informação nos mandou para o lado errado, a segunda disse que estava muito ocupada para falar conosco e a terceira - blessed one! - nos indicou a direção correta para o translado para a Asa A, onde embarcaríamos.

Finalmente dentro do avião, fomos avisados que tínhamos de esperar tirarem as malas de umas pessoas que as despacharam e não apareceram. Que bom, toda nossa correria foi inútil, então.

Quando o avião decolou - um mini avião da Embraer! - todos respiramos aliviados, porque tínhamos medo que ele caísse hahaha. Pela janela, podíamos ver lagos congelados e uma camada beeem fininha de neve, o que foi muito tri. De qualquer jeito,depois de uma hora... CANADA! (Outro contratempo: o passaporte de uma das pessoas tinha SUMIDO. Foi encotrado minutos depois, embaixo do assento.)



Daí em diante, foi só alegria, como diria meu pai: passamos por uma pequena fila, pegamos nossa mala, outro balcão para entregar um segundo papel, saída. A escola estava nos esperando para nos levar até o nosso hotel, que não é nada mal, mas também não é maravilhooooso. Pelo menos, tem heater. Yay. =D

Temperatura

- Lentes?! Eu não estou usando lentes! Você... é que está ficando estranho – Marcell abanou a cabeça – Não é possível. Algo está acontecendo.
- Eu não tinha reparado nisso – ironizou Rodolfo e se afastou da mesa. Marcell o seguiu.
Atravessaram o pátio interior e deixaram o edifício, se dirigindo para o pátio exterior.
- Talvez a Nath consiga explicar. Pode parecer insano da minha parte, mas o seu sonho e o fato de ela reparar em você derrepente... Eu não acho que seja uma coincidência.
- Pode muito bem ser. Já ouviu falar de sonhos premonitórios?
- Claro, e logo você ia ter um... Tudo bem, mas como isso explicaria as marcas?
Marcell parou de andar. A temperatura estava aumentando de modo alarmante.
- Vamos para dentro – sugeriu – o Sol está demasiado forte.
- Também reparou nisso? O aquecimento global está se fazendo sentir.
Marcell olhou para Rodolfo, mal-humorado.
- Então, é essa a sua estratégia? - inquiriu, enquanto ambos caminhavam para o interior do edifício.
- Não estou entendendo.
- Finge que está tudo bem, que simplesmente prevê acontecimentos... em suma, nada de grave.
- Porque está assim? Já resolvemos o assunto da Nath, são tudo águas passadas. Está guardando mágoa por ela ter reparado em mim?
- Era isso que eu temia – Marcell se voltou para o amigo – Eu não tenho ciúmes, apenas estou tentando perceber o que está nos acontecendo.
O corredor ficou silencioso. Momentos depois, um grupo de alunos atravessou o corredor no qual se encontravam. Rodolfo enveredou por outro corredor.
- Para onde vai?
Rodolfo ignorou a pergunta de Marcel e prosseguiu o seu caminho. Se dirigiu ao banheiro dos meninos mais próximo. Uma briga tinha acabado de ocorrer lá. Alguns ex-colegas saíram com expressões divertidas. Alguém que parecia ser um dos envolvidos na luta, passou por ele, nervoso, e empurrou Rodolfo contra a parede, desimpedindo a própria passagem. Rodolfo sentiu a face dorida e sangue escorrer para os seus lábios. Provou-o, inconscientemente. O sabor despertou uma sensação apreensivamente agradável. Parecia que uma força desconhecida crescia dentro de si...

Olhares

Um calafrio brotou da ferida e percorreu todo o corpo de ambos. Tinham a séria impressão de mergulharem em uma câmara de gelo, porém a sensação estranha passou tão logo quanto veio. Em seu lugar, apenas sentiam a pele mais fria e pálida do que o de costume.
- Cara, o que foi isso? - perguntou Marcell, ainda em choque.
- Não sei. Mas nada parece ser um sonho. Pensei que ia morrer de frio!
Marcell assentiu, assustado, e resolveu se calar. Apesar do medo, seus pensamentos foram tomados pela imagem de Nath. Ele queria entender porque Rodolfo sonhava com ela, mas ele não. Se perguntasse ao amigo, ele poderia pensar que ainda havia interesse da parte dele, e poderia ter ciúmes. Na época, se compreenderam com a paixão compartilhada, mas reviver o assunto e a paixonite estava fora de questão.
O silêncio os envolveu de tal maneira que, através do olhar, entenderam que era hora de sair dali. Era inexplicável, mas impossível continuar ali. Desceram da casa da árvore, e pouco se importaram de chegar no meio da primeira aula.
Na hora do intervalo, Marcell procurava uma maneira de tocar no assunto com Rodolfo, até chegarem em uma conclusão sobre os sonhos, as marcas e o calafrio intenso. Contudo, simultaneamente ao seu arroubo de coragem, Nath passou por trás dele e fez um sinal a Rodolfo, que parecia hipnotizado por ela.
- Rodolfo?
- Quê?
- O que você tá olhando?
- Nath. Ela parece prestar atenção em mim de novo.
- Só que essa atenção não é de graça. Você sonhou com ela e foi mordido, assim como aconteceu comigo, embora não saiba quem é a criatura com que sonhei.
- Pois é, tive mais sorte do que você! - debochou Rodolfo.
- Você que pensa. Ela está perto de nós, pode fazer muito pior do que no sonho. Você acha que fomos mordidos de verdade?
Ele mirou o lanche, sem fome alguma, e disse, ainda cabisbaixo e sombrio:
- Se fomos, você sabe muito bem o que vai acontecer depois.
- Ou o que já aconteceu - acrescentou Marcell.
De repente, o semblante preocupado de Rodolfo relaxou e se tornou nervoso:
- Que ótimo! Não basta a situação ser uma bosta, e você decide zuar com a minha cara?!
- O que foi? - Marcell, indignado, levantou-se, e o amigo fez o mesmo.
- Que merda de lentes de contato vermelhas são essas? Reparei só agora! Não tem graça nenhuma!
Imediatamente, a imagem do homem de cabelos loiros e olhos avermelhados o invadiu e era como se não enxergasse mais seu amigo. A realidade se tornara muito pior do que os pesadelos.

Rodolfo

Rodolfo percebeu que seu melhor amigo de infância estava olhando para suas cicatrizes. Olhou para elas também e resolveu contar tudo a ele, queria compartilhar aquele medo.
-Marcell, tenho algo para lhe contar, mas é melhor não irmos para escola. Lá é um lugar que não podemos confiar nas pessoas, pois são muito fofoqueiras e podem descobrir meu segredo.
-Certo, vamos ao nosso esconderijo.
Desde crianças os dois amigos moravam perto e estudavam no mesmo colégio. A duas quadras da casa deles havia uma praça com uma árvore enorme no centro com um banco ao redor, e acima uma grande casa que os dois haviam construído com a ajuda dos pais. Eles chegaram e quando a avistaram, pegaram um pedaço de madeira e puxaram a corda que ficava presa na casa para que poucos pudessem subir. Eles ainda cabiam nela e sempre que precisavam iam para lá. A casa era verde, com uma janela em cada parede, uma porta, e no assoalho havia uma abertura circular com a corda que proporcionava a subida dos garotos. Dentro da casa tinha mesa, cadeiras e uma pequena estante com seus pertences, os quais delatavam as pequenas armações feitas pelos dois quando pequenos. Eles se sentaram cada um numa cadeira, quando Rodolfo voltou a falar.
-Sonhei com a Nath pela terceira, mas não foram sonhos comuns, esses sonhos foram totalmente diferentes.
Nath era a garota por quem Rodolfo e Marcell haviam se apaixonado e tiveram um caso. Era uma linda ruiva de olhos verdes, pele branca como a de um vampiro e um sorriso misterioso que seduzia qualquer um. Apesar de sua beleza, era conhecida pelos diversos casos amorosos que já tivera. Muitas garotas tinham inveja dela e vários garotos a idolatravam, mas ninguém conhecia sua verdadeira identidade.
-Nesses sonhos estou no meio de uma floresta fechada muito escura, com uma névoa entre as árvores, quando de repente ela aparece e anda em minha direção com seu olhar sedutor. Nas primeiras vezes eu acordava quando ela beijava meu pescoço, mas desta vez ela beijou meu braço direito e logo após o mordeu. A dor foi insuportável, pensei que queria morrer e quando acordei, estava todo suado com o braço latejando e percebi que dessa vez fora real.
Marcell o olhava espantado, tivera o mesmo sonho, mas outro ser o mordia. Então resolveu mostrar sua cicatriz ao amigo. Puxou a manga até a região onde parecia que a mordida havia sido suturada.
-Eu também tenho uma mordida, mas meus sonhos foram diferentes dos seus e uma outra criatura me mordia.
Nesse momento estavam ambos sentiam uma nova sensação em seus corpos, algo diferente de tudo que já haviam sentido em suas vidas...

Marcell ficou com medo. Olhou ao redor, procurando algo ou alguém que pudesse tê-lo ferido, mas não encontrou nada. A janela de seu quarto encontrava-se fechada, bem como a porta. Não havia nenhum barulho na casa. Seus pais dormiam num quarto que ficava exatamente acima do seu. Marcell chegou a pensou em acordá-los, mas achou melhor não. Iria esperar pelo amanhecer para falar com eles. Ainda tinha esperança que as marcas sumissem e tudo tivesse sido um grande sonho.

Mas elas continuavam ali, embora seu braço tenha parado de doer e não houvesse sangue nenhum. Marcell sentou na cama e ficou olhando pro teto do quarto, enquanto passava a mão em seu braço. Nada havia lhe acontecido nas outras vezes que teve o sonho, mas ele também não tinha tentado explorar o lugar. Aliás, que lugar era aquele? Não se parecia nem um pouco com qualquer outro que ele tenha estado. Quanto mais pensava no sonho, mais impossível ele lhe parecia. A névoa, o vampiro... Já ouvira falar de pessoas que sonhavam com algo que estava acontecendo, mas nada parecido com o que lhe havia ocorrido. Então, no meio de seus pensamentos, Marcell voltou a dormir.

Acordou com o despertador, meio zonzo. Quando se tocou do que estava acontecendo, lembrou do seu braço. Olhou pra ele, e as marcas haviam sumido, mas no lugar delas parecia que haviam costurado a pele, para cobrir os furos. Então Marcell levantou-se e trocou de roupa, botando uma camiseta de manga comprida. Havia decidido manter segredo daquilo pros seus pais, pelo menos até descobrir algo. Saiu do quarto e foi para a cozinha, onde encontrou seu pai terminando de tomar café.

-Bom dia, pai.

-Bom dia, Marcell. Teve uma boa noite?

-Que? Ah, sim, tive...

-Bom, já estou de saída. Tenha um bom dia, filho.

Marcell sentou-se a mesa e pegou um copo de café e uma torrada. Ficou segurando e vendo seu pai sair pela porta da frente. Então comeu rápido, pegou sua mochila e foi pra escola. Estudava num colégio próximo a sua casa, e ia caminhando. Sempre encontrava seu melhor amigo no caminho, Rodolfo, e desta vez não foi diferente. Rodolfo estava com uma cara triste, e usava uma camiseta de manga curta. Marcell reparou que ele estava com cicatrizes iguais as suas no braço...

Quando Marcell abriu os olhos, sua cama estava de novo naquele lugar estranho. Era a terceira noite que seu sonho tinha um aspecto real. Levantou-se de sua cama em um pulo, olhando em volta. O chão de terra possuía inúmeras crateras, uma destas ao lado da cama. Nas duas últimas noites, se contentara em observar ao redor do conforto de sua cama. Mas o que significaria tudo aquilo, afinal?
Seu pijama branco contrastava com o céu negro e com as duas luas que flutuavam em uma órbita desordenada. Seus olhos azuis encontraram uma cratera em particular, a poucos metros de sua cama. Seus cabelos curtos, lisos e muito negros estavam visivelmente bagunçados. Marcell não era magro nem gordo. Tinha uma aparência forte e robusta, mas seu coração podia ser idiota por muitas vezes. Não só seu coração, mas sua coragem traidora ajudaria a sua entrada num estranho acontecimento.
BUM!
Fumaça começou a sair da cratera em que seu olhar se fixava. Ele franziu o cenho para enxergar o que havia no meio da fumaça. Mas só conseguia distinguir uma capa preta que cobria algo. A fumaça foi se dissipando e Marcell se aproximou. Seus passos ecoavam, tamanho o silêncio que se encotrava no local. Seu coração batia desordenado, e a maldita coragem de Marcell incendiava seu pobre pensamento.
VLAP!
A capa foi puxada por mãos tão brancas quanto o pijama de Marcell. As roupas tão brancas quanto a sua pele, olhos avermelhados, cabelos curtos e loiros. Alto, magro e com dentes manchados de vermelho. A respiração de Marcell parou.
O ser, que parecia um vampiro, deslizou estranhamente até Marcell, e mordeu-lhe o bíceps direito. O sangue jorrava para todas as direções, enquanto o corpo de Marcell deslizava em direção ao chão. Repentinamente, o cenário em volta foi se tornando diferente, voltando a ser o quarto de paredes azuis em que Marcell passava suas noites, isolado do resto de sua família. O suor escorria por seu rosto, mas um suspiro de alívio saiu dele, ao notar que tudo não passara de um sonho.
-AI!
Uma dor súbita perpassou todo seu corpo. Ao olhar para seu braço que estava a mostra por usar uma camiseta, as marcas de dentes fortes. Seus olhos azuis saltaram ao ver a marca.

Afinal, o que estava acontecendo?

Olá a todos!

Depois de um tempo em que nosso blog foi atualizado poucas vezes, voltamos com novas idéias, idéias estas que vão mexer um pouco com o jeito em que as coisas vinham sendo feitas aqui. Inicialmente, cada um de nós escreveria sobre um assunto específico, diferente do falado pelos demais usuários do blog.

Desta vez, escreveremos em grupo: nossa idéia é a de fazer com que todos participem, então nos juntamos no escrever contos. Serão várias histórias e, cada uma, será dividida em partes, sendo que cada parte será escrita por um usuário diferente, fazendo com que o rumo da história vá mudando de acordo com as idéias de cada um de nós.

O usuário que dará início a este novo projeto atende pelo nick de Klaus Oldman e postará sua parte em breve.

Boa leitura e divertimento a todos! ;)

Corvinais do BD

Eu odeio este filme

Antes de mais nada que fique claro: estas opiniões são pessoais, isso é um blog, então nada mais obvio. Ainda assim, fica dito aqui.
Outro ponto: não vou falar de Harry Potter. Claro, se houver filmes sendo lançados é outro assunto.
Último ítem: Eu sempre vou falar sobre filmes/cinema. O que não quer dizer que não vou acabar resvalando em assuntos como livros, músicas e cultura de forma geral!
Posto isso, boa leitura!
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Primeiro post do blog deveria ser sobre algum grande filme. Quem sabe um grande clássico da história do cinema como Beh-Hur ou E o vento levou ou então o certo seria eu discorrer linhas e mais linhas sobre meus filmes favoritos? Se existe um paradigma certo, ou uma verdade absoluta, isso não se aplica ao cinema. Não sob a minha ótica pelo menos. Prefiro começa o blog recomendando um filme a não ser visto. Afinal, se o que você quer é saber o que ver, é melhor procurar outro blog, ou esperar o próximo post. Minhas primeira recomendação é esta: fique em casa.

Não estou aqui nem falando por conta do surto da 'nova gripe' - que agora, pasme é politicamente incorreto chamar de 'gripe suína' - estou me referindo ao filme Eu odeio o dia dos namorados. A premissa do filme não é de todo ruim. E que aqui fique claro, eu sou fanática por comédias e tenho sim certa tendência à comédia romântica. Então, o filme seria perfeito, isso se respeitasse certos detalhes, ou verdades óbvias no cinema:

Em primeiro lugar, se você não é Woddy Allen, não tente dirigir, atuar, escrever e produzir seu filme. Nia Vardalos tentou fazer isso. Eu digo tentou mesmo, porque a única coisa que consigo ver é uma diretora medíocre, dirigindo um filme que gira em torno de uma personagem mau interpretada, cujas piadas não conseguem ter graças. Nia pode ser uma boa atriz, mas definitivamente não mostrou isso no filme. É claro que está perdida pela falta de uma direção, afinal, ninguém me convence que é realmente possível dirigir a si próprio. Como roteirista, tudo o que eu vejo é uma mulher que escreveu a pessoa que gostaria de ser, mas que jamais será. E até o estilo caricato de mais da personagem central, destoa de todo o resto. Um personagem caricato exige um universo caricato, Vardalos também falhou nisso.

Outra coisa é a química do casal central. Se em Casamento Grego Nia e John Corbett são absolutamente convincentes e é impossível não torcer para o casal, no Eu odeio o dia dos namorados a química entre os dois praticamente some. E até mesmo o mais romântico dos beijos, encostado numa árvore no Central Park, parece uma ceninha de adolescentes tentando mostrar que se gostam. A própria inversão de papeis com John sendo o romântico bobo e Nia a mulher resolvida, ainda que seja uma ótima idéia, não funciona no filme.Há também o aspecto da locação do filme. Em se tratando de uma história que se passa em Nova York, o que se espera são tomadas de todas as belezas da cidade. Mas, quase todo o tempo o que vemos é a mesma vizinhança sem graça do Broklin - nada contra o bairro - e uma ou outra tomada do rio Hudson. Até mesmo o Central Park, ponto turístico utilizado em dez entre dez filmes que se passam em Nova York, passa quase desapercebido. Não que uma boa fotografia faça um filme, mas se o filme já é ruim, a fotografia bem que ajuda.

Por último dedico todo um item as piadas do filme. É bem verdade que não sou exatamente o tipo de pessoa que ri em todos os filmes de comédia - ainda que Divã tenha me levado as gargalhas [alias, no próximo post, vou falar sobre este filme]. Na maioria dos filmes americanos as piadas são mesmo fracas e quase todas de cunho sexual. Ainda assim, é possível pelo menos achar graça do que se passa na tela. No filme em questão, tudo o que senti foi vergonha dos personagens. Afinal, a única coisa relativamente engraçada do filme fica por conta dos personagens 'Ops' e 'Oh-Oh'. O que, sinceramente, perde a graça na quinta vez que acontece.

O que deixo por fim é a minha recomendação: se você já viu os melhores filmes que estão passando e pensou em ir ver Eu odeio o dia dos namorados, pense bem. Pense melhor. Quem sabe o sofá da sala e a novela das oito não seja melhor pedida.

informações sobre o filme:
Elenco: Nia Vardalos, John Corbett, James Purefoy, Judah Friedlander, Zoe Kazan, Stephen Guarino, Dan Finnerty.
Direção: Nia Vardalos
Gênero: Comédia
Sinopse: Genevieve é uma mulher que adora flores e o Dia dos Namorados. Quer dizer, adora porque isso incrementa as vendas de sua floricultura. No fundo, ela detesta relacionamentos.

Harry Potter e o Mundo Real

Olá pessoal do RDM, depois da ja decretada morte do RDN, por falta de posts voltamos com tudo, junto com a V3 do Beco!

E para comessar essa nova era do RDN, por que não comessar falando de Harry Potter?

Esse texto foi escrito por um tal de Paulo Dumbledore, e achei muito interessante, me fez rever meu ponto de vista sobre a saga de Harry Potter.
Espero que gostem!

NOTA: Esse é meu primeiro post aqui!

Harry Potter e o Mundo Real

De fato entre adultos a adolescentes e todas as demais idades é comprovado o sucesso de Harry Potter.

Também é comprovada a perseguição de grupos que acusavam o bruxo de ser um disseminador de práticas bruxas, alguns até diziam que J.K Rowling era integrante de uma seita bruxa secreta.

Mas no fundo de cada historia vivida pelo jovem bruxo uma mensagem podia ser entendida.Há uma capacidade de muitos jovens e adolescente que encontraram nos conflitos vividos por Harry Potter uma lição de como entender os conflitos que ocorriam dentro dos mesmos.

Harry passou durante sua história por várias situações que qualquer pessoa passaria, e J.K. Rowling com sua incrível capacidade criativa transformou essas situações em algo mágico, especial.Por aí começa o sucesso de Harry Potter, ele mostra de uma maneira mágica tudo o que nós vivemos!

Quando em seu primeiro livro Harry Potter vive o momento de sua seleção, ele sente uma verdadeira necessidade de escolha vocacional.Todos nós somos obrigados a escolher o que queremos fazer.Mas naquele situação Harry se vê nas mãos de um Chapéu Seletor que deverá decidir em que lugar enquadrá-lo.Quantas vezes nós não nos vemos diante de uma sociedade que quer nos dizer o que fazer?Mas quando Harry se vê presionado ele diz “Sonserina, não.Não quero sonserina”, e corajosamente desafia aquilo que o chapéu quer fazer e decidi por si só o que fazer.Numa vida real esse grito poderia ser um “Direito não” ou então “Não quero esse emprego”.Harry Potter nos ensina a viver aquilo que queremos, e que quando desejamos algo não há imposições suficientes que possam nos impedir.

Ainda em seu primeiro livro, Harry é obrigado a violar uma série de regras.Quantas vezes não é necessário a ele escolher entre o que é certo e o que é necessário.Esse pensamento é algo próprio do ser humano, bruxo ou não.Mas Harry mostra que o certo é fazer o necessário mostrando valores de amor e amizade que a sociedade perdeu.Harry ensina que acima do bem e do mal está aquilo que o coração manda, essa lição é essencial!

Em toda a sua história Harry mostra uma necessidade afetiva muito grande.Sem pais, criado por tios que o odiavam.Quantos não leram esse livro em semelhante situação? Quantos não folhearam as páginas de HP pensando em pais não presentes?Harry mostra com fidelidade o que acontece quando a família se ausenta na educação dos mais jovens.Não fosse a presença de seus amigos e professores que sempre o ajudaram a superar essa carência afetiva Harry se tornaria ( com todo o seu potencial) um jovem de figura sombria como Voldemort.Será que a menos esta lição a sociedade entendeu?

A medida que Harry crescia, maiores eram as lições que ele queria dar.

Em seu último livro ele abando na os estudos, é desprezado pela comunidade bruxa é perseguro e tem que abandonar um lar.São características de um marginal.Mas este é o maior herói do mundo bruxo.Quantos heróis na se escondem em cada esquina, abandonados, desprezados por que a sociedade ensina que pessoas assim não contribuem em nada e não merecem atenção.Ninguém consegue ver no olhar de uma pessoa abrigada a abandonar sua casa, que vive andando pelas ruas um herói.A imprensa acusa, a sociedade condena.Assim como fizeram com Harry fazem com nossos heróis abandonados do mundo real.

Por fim, o livro termina com uma guerra.Nesta Harry morre, mas em suas mãos está a decisão de se deixar levar ou voltar a vida.Ele poderia continuar sua travessia pós morte, pegar o trem e seguir adiante. Depois de todas as lições que Harry deu uma última é necessária. Então Harry decidiu por não voltar, ele quis estar com os seus, mudar uma história fadada ao fracasso.Ele quis agir, lutar por que sabia que no final as trevas não poderiam triunfar.Acredita agora na relação entre Harry Potter e o mundo real?

Fábulas Fabulosas

(as fábulas) Não pretendem ensinar nada senão que a paz na terra independe de nossa boa vontade, que a vitória na vida vem mais de nossos defeitos do que de nossas qualidades, e que só no dia em que um industrial espirituoso chamar de Fé às suas escavadeiras, a Fé removerá montanhas. (FERNANDES, 1964)


O Rei dos Animais, de Millôr Fernandes

Saiu o leão a fazer sua pesquisa estatística, para verificar se ainda era o Rei das Selvas. Os tempos tinham mudado muito, as condições do progresso alterado a psicologia e os métodos de combate das feras, as relações de respeito entre os animais já não eram as mesmas, de modo que seria bom indagar. Não que restasse ao Leão qualquer dúvida quanto à sua realeza. Mas assegurar-se é uma das constantes do espírito humano, e, por extensão, do espírito animal. Ouvir da boca dos outros a consagração do nosso valor, saber o sabido, quando ele nos é favorável, eis um prazer dos deuses. Assim o Leão encontrou o Macaco e perguntou: "Hei, você aí, macaco - quem é o rei dos animais?" O Macaco, surpreendido pelo rugir indagatório, deu um salto de pavor e, quando respondeu, já estava no mais alto galho da mais alta árvore da floresta: "Claro que é você, Leão, claro que é você!".

Satisfeito, o Leão continuou pela floresta e perguntou ao papagaio: "Currupaco, papagaio. Quem é, segundo seu conceito, o Senhor da Floresta, não é o Leão?" E como aos papagaios não é dado o dom de improvisar, mas apenas o de repetir, lá repetiu o papagaio: "Currupaco... não é o Leão? Não é o Leão? Currupaco, não é o Leão?".

Cheio de si, prosseguiu o Leão pela floresta em busca de novas afirmações de sua personalidade. Encontrou a coruja e perguntou: "Coruja, não sou eu o maioral da mata?" "Sim, és tu", disse a coruja. Mas disse de sábia, não de crente. E lá se foi o Leão, mais firme no passo, mais alto de cabeça. Encontrou o tigre. "Tigre, - disse em voz de estentor -eu sou o rei da floresta. Certo?" O tigre rugiu, hesitou, tentou não responder, mas sentiu o barulho do olhar do Leão fixo em si, e disse, rugindo contrafeito: "Sim". E rugiu ainda mais mal humorado e já arrependido, quando o leão se afastou.

Três quilômetros adiante, numa grande clareira, o Leão encontrou o elefante. Perguntou: "Elefante, quem manda na floresta, quem é Rei, Imperador, Presidente da República, dono e senhor de árvores e de seres, dentro da mata?" O elefante pegou-o pela tromba, deu três voltas com ele pelo ar, atirou-o contra o tronco de uma árvore e desapareceu floresta adentro. O Leão caiu no chão, tonto e ensangüentado, levantou-se lambendo uma das patas, e murmurou: "Que diabo, só porque não sabia a resposta não era preciso ficar tão zangado".

MORAL: CADA UM TIRA DOS ACONTECIMENTOS A CONCLUSÃO QUE BEM ENTENDE.

Esta "trilogia de cinco livros" é uma série de ficção científica repleta de sarcasmo e ótimas tiradas que começou como um programa de rádio e virou até filme.

Da Wikipédia:

O livro conta a história de Arthur Dent, um típico inglês que, num dia que pode ser considerado tudo menos típico, descobre não só que Ford Prefect, um de seus melhores e únicos amigos, é um extra-terrestre, mas também que a Terra está prestes a ser destruída pelos Vogons (uma raça alienígena extremamente burocrática e mal-vista em toda a Galáxia que adora torturar seus prisioneiros lendo poemas que eles mesmos escreveram) para dar espaço a uma nova via intergaláctica.

Com a ajuda de Ford, Arthur foge momentos antes da demolição do planeta, pegando carona clandestinamente em uma das espaçonaves Vogons. Quando a presença indesejável dos dois é detectada, o comandante da Frota de Demolição Vogon, Prostetnic Vogon Jeltz, não hesita em expulsar e abandoná-los à deriva no espaço. Mas, em um incrível golpe de sorte, a dupla é resgatada pela nave Coração de Ouro, comandada por Zaphod Beeblebrox, presidente da Galáxia e Trillian, a terráquea que fugiu com Zaphod, logo depois de tê-lo conhecido em uma festa, seis meses antes da demolição da Terra. Outro personagem de destaque na trama é Marvin, o robô maníaco-depressivo, cujo desprezo pela vida só não se compara à sua depressão crônica e ao tamanho de sua inteligência.

Assim começa a jornada de Arthur Dent e Ford Prefect pelo Universo em busca da Pergunta Fundamental da Vida, do Universo e Tudo Mais, sempre guiados por um fantástico livro de viagens: O Guia do Mochileiro das Galáxias.

Separei um trechinho do último livro que eu li (não, ainda não li os cinco), A Vida, O Universo e Tudo Mais. É uma parte do Guia que explica como voar. Segue:

"Há toda uma arte, ou melhor, um jeitinho para voar.
O jeitinho consiste em aprender como se jogar no chão e errar.
Encontre um belo dia e experimente.

A primeira parte é fácil.

Ela requer apenas a habilidade de se jogar pra frente, com todo seu peso, e o desprendimento para não se preocupar com o fato de que vai doer.
Ou melhor, vai doer se você deixar de errar o chão.
Muitas pessoas deixam de errar o chão e, se estiverem praticando da maneira correta, o mais provável é que vão deixar de errar com muita força.

Claramente é o segundo ponto, que diz respeito a errar, que representa a maior dificuldade.

Um dos problemas é que você tem que errar o chão acidentalmente. Não adianta errar o chão de forma deliberada, porque você não irá conseguir. É preciso que sua atenção seja subitamente desviada por outra coisa quando você está a meio caminho, de forma que você não pense mais a respeito de estar caindo, ou a respeito do chão, ou sobre quanto isso irá doer se você deixar de errar.
É reconhecidamente difícil remover sua atenção dessas três coisas durante a fração de segundo que você tem à sua disposição. O que explica por que muitas pessoas fracassam, bem como a eventual desilusão com esse esporte divertido e espetacular.
Contudo, se você tiver a sorte de ficar distraído no momento crucial por, digamos, lindas pernas (tentáculos, pseudópodos, de acordo com o filo e/ou inclinação pessoal) ou por uma bomba explodindo por perto, ou por notar subitamente uma espécie muito rara de besouro subindo num galho próximo, então, em sua perplexidade, você irá errar o chão completamente e ficará flutuando a poucos centímetros dele, de uma forma que irá parecer ligeiramente tola.

Esse é o momento para uma sublime e delicada concentração.

Balance e flutue, flutue e balance.

Ignore todas as considerações a respeito de seu próprio preso e simplesmente deixe-se flutuar mais alto.

Não ouça nada que possam dizer nesse momento, porque dificilmente seria algo de útil.
Provavelmente dirão algo como: "Meu Deus, você não pode estar voando!"
É de vital importância que você não acredite nisso: do contrário, subitamente estará certo.

Flutue cada vez mais alto.

Tente alguns mergulhos, bem devagar no início, depois deixe-se levar para cima das árvores, sempre respirando pausadamente.

NÃO ACENE PARA NINGUÉM.

Quando você já tiver repetido isso algumas vezes, perceberá que o momento da distração logo se torna cada vez mais fácil de atingir.
Você pode, então, aprender diversas coisas sobre como controlar o seu vôo, sua velocidade, como manobrar etc. O truque está em não pensar muito naquilo que você quer fazer. Apenas deixe que aconteça, como se fosse algo perfeitamente natural.

Você também irá aprender como pousar suavemente, coisa com a qual, com quase toda a certeza, você irá se atrapalhar - e se atrapalhar feio - em sua primeira tentativa."
Para quem ficou interessado, os cinco livros são O Guia do Mochileiro das Galáxias, O Restaurante do Fim do Universo, A Vida, o Universo e Tudo Mais, Até Mais, e Obrigado pelos Peixes! e Praticamente Inofensiva, sendo que o último tem sua história independente dos outros quatro.



Lembrem-se: DON'T PANIC. ;)



Recebi esse poema por e-mail e pelo que dei uma olhada parece que realmente foi escrito pelo Oswaldo Montenegro. Como achei muito bonito, resolvi postar aqui no Blog ^^
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Metade

E que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio...
Que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca...
Porque metade de mim é o que eu grito, Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe seja linda, ainda que tristeza!
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada, mesmo que distante!
Porque metade de mim é partida... Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos...
Porque metade de mim é o que ouço... Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço.
Que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que penso, Mas a outra metade é um vulcão!

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável!
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que eu me lembro ter dado na infância...
Porque metade de mim é a lembrança do que fui! Mas a outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais...
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar, porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer!
Porque metade de mim é a platéia. E a outra metade é a canção.

E que a minha loucura seja perdoada...
Porque metade de mim é amor...
E a outra metade... também!

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